Resumo – Nos últimos anos, entre as importantes transformações ocorridas no mercado de trabalho brasileiro se encontram uma acentuada redução da taxa de desemprego e, de forma mais branda, da taxa de participação, além de um forte aumento real dos rendimentos médios do trabalho. Essas tendências ocorreram de forma diferenciada entre grupos de idade. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD/IBGE) mostram que entre os jovens, nos últimos 20 anos, enquanto a participação na PEA se reduziu, a oferta de trabalho de suas mães cresceu. Além disso, a taxa de desemprego dos jovens caiu e de seus pais e mães aumentou – sendo que a das mães cresceu em média proporcionalmente mais que a dos pais. Esses processos podem ter influenciado as mudanças de alocação de jovens entre o mercado de trabalho e os estudos ocorridas no período.

Esse artigo procura entender quais os efeitos da renda do pai, renda da mãe, situação de trabalho do pai e da situação de trabalho da mãe sobre o estado de atividade dos jovens. O artigo trabalha com a hipótese de que a decisão de alocação de tempo do jovem entre os estudos e o trabalho é tomada levando em conta a alocação do tempo e renda das outras pessoas do domicílio também. Para abordar a questão, foram utilizados modelos de escolha discreta multinomiais com dados da PNAD entre 1992 e 2013. Além das estimações, os autores constroem simulações de cenários para evidenciar as diferenças de importância da renda e da condição de trabalho do pai e da mãe.

Os resultados indicam que o crescimento da renda da mãe teve importância maior, em comparação com a renda do pai, para explicar o aumento da proporção de jovens que se dedicam exclusivamente aos estudos e a redução daqueles que somente participam do mercado de trabalho. Quanto às situações de atividade em que o jovem trabalha e estuda ou é “nem-nem”, não foi possível concluir que a renda da mãe teria um efeito muito diferente do da renda do pai para alterar essas probabilidades.

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