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Utilizando dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, o pesquisador João Manoel Pinho de Mello (PUC-Rio) explora nesse artigo o nexo entre uma droga em particular, o crack, e a violência urbana. O estudo destaca que apenas o tráfico da droga – e não a posse – teve impacto relevante sobre as altas taxas de homicídios registradas na capital paulista nas décadas de 1980 e 1990 e que a atividade criminosa não exerceu qualquer impacto sobre outros tipos de delitos menos graves, como crimes de propriedade e assalto.

A pesquisa também indica que, dentre as diferentes vias pelas quais a relação crack x violência se manifesta socialmente, a via sistêmica é a mais importante – essa teoria postula que a ilegalidade do comércio e uso da droga é que provoca o comportamento criminoso; em primeiro lugar, pelo confronto direto entre a força policial repressiva e os traficantes e, de outra maneira, pelo uso da violência – e não do preço – pelas gangues e cartéis como arma na disputa por maior fatia de mercado ou territorialidade.

O pesquisador defende, ainda, que as conclusões obtidas podem auxiliar a definição de novas políticas para a área, sugerindo que a violência não acompanharia a legalização do comércio e/ou uso da droga, mesmo se o consumo crescesse. Para reforçar a tese, ele lembra que a posse da substância (para consumo) não está associada, na literatura e nos dados analisados, ao aumento na violência, constituindo a legalização, portanto, a alternativa mais atraente para solução do problema. Na análise dos dados, o pesquisador pode apontar também que a cidade de São Paulo já funcionou como centro de distribuição de crack e cocaína para outros mercados e que o tráfico da droga aconteceu de modo mais intenso na capital do que nas demais regiões do estado.

Por Equipe REAP.

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Ano: 2011

Working-paper: 003

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