A relação entre desordem e crime em áreas urbanas é o tema  central deste artigo de Leandro Piquet Carneiro (IRI/USP). O  paper revê literatura que aponta que indicadores de  desordem física e social, como lixo nas ruas, prédios  abandonados, pichações, ocupação ilegal e prostituição  podem provocar impactos negativos sobre mercado  imobiliário e novos negócios. A desordem poderia, até  mesmo, estimular fluxos expressivos de migração e condutas  antissociais que, por sua vez, teriam potencial para resultar  em delitos, incluindo homicídios. O artigo utilizou dados do  Censo Demográfico 2000, de boletins de ocorrências da base INFOCRIM-SSP (Sistema de Informações Criminais) e de fontes independentes para cruzá-los com 118 questionários aplicados a profissionais de segurança pública e lideranças comunitárias da cidade de Santos (SP).  Seu objetivo foi identificar os dez principais problemas de desordem deste município por localidade. Os resultados mostraram que 77% das áreas com registros de desordens são identificados também como pontos de venda de drogas. O único crime que não se correlacionou com desordem foi roubo de carro. Por constatar vínculo, portanto, entre desordem e criminalidade, o artigo defende que as politicas públicas de combate ao crime devem incluir ações de controle da primeira que contem com o apoio da comunidade e orientem-se para além do recurso à justiça criminal ou adoção de leis penais.

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Ano: 2012

Working-paper: 027

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