Literatura especializada aponta que a violência pode prejudicar, por diversos canais, as crianças e adolescentes no momento de sua escolarização. Tendo isso em vista, o estudo de Victor Azambuja Gama (ESALQ-USP) e Luiz Guilherme Scorzafave (FEA-RP/USP) analisa a relação entre criminalidade no entorno das escolas e a proficiência escolar de alunos de 4a e 8a séries (5º e 9º anos) do Ensino Fundamental na capital paulista. Por meio de dados contidos em registros policiais compilados pela Fundação SEADE e dos resultados da Prova Brasil, o paper verifica que alunos de escolas inseridas em regiões mais violentas apresentam pior proficiência escolar no 5º ano, mesmo após a utilização de diversos controles na especificação econométrica. Segundo os autores, um aumento da taxa de homicídios dolosos em 10% provoca redução da proficiência escolar no 5º ano em cerca de 0,12 pontos na escala SAEB, tanto em português como em matemática, enquanto o efeito das lesões corporais não foi significativo. Para o 9º ano, não foram encontrados efeitos significativos de nenhuma das variáveis. Um dos fatores que pode estar associado a esse resultado é que o efeito da violência em estudantes mais velhos pode se dar mais por meio da evasão escolar do que pela redução da proficiência.

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Ano: 2013

Working-paper: 064