O mercado de ensino superior brasileiro é objeto de estudo deste artigo, de autoria de Eduardo C. Andrade (Insper), Rodrigo M. S. Moita (Insper) e Carlos E. Lobo e Silva (PUC-RS). Ao analisar as razões pelas quais as instituições precificam mensalidades abaixo do valor de equilíbrio do mercado, o artigo verifica que a estratégia visa provocar demanda contínua e excessiva, além de maior seletividade. Em última instância, as instituições buscam elevar a qualidade do corpo discente já que este quesito ajuda a melhorar a reputação da escola e, ainda, é o que mais pesa sobre a decisão do candidato de onde estudar.

O trabalho discute –  e confirma – a teoria de que a alta seletividade gera bons retornos ao negócio ao melhorar o nível das aulas e, portanto, contribui para maximizar os lucros no longo prazo. Assim, a demanda e seletividade altas no presente permitirão à escola cobrar mensalidades maiores no futuro. Para chegar a essas conclusões, o estudo analisou dados do Censo de Educação Superior e do Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes), ambos conduzidos pelo MEC.

A amostragem envolveu programas de graduação em Administração de Empresas de 298 instituições instaladas em São Paulo, estado que concentra 24.1% das escolas de ensino superior do país.  O estudo calculou, ainda, o ‘investimento’ do setor que aposta nessa estratégia de ‘diferenciação’(renda perdida para garantir alta demanda): mais de R$5 milhões por ano.

Por Equipe REAP

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