A relação entre corrupção e desempenho escolar no ensino  fundamental é o ponto central deste paper de autoria de Claudio  Ferraz (PUC-Rio), Frederico Finan (University of California) e  Diana B. Moreira (Harvard University). O artigo mostra que,  além do desempenho dos estudantes, insumos como laboratórios  de informática, recursos didáticos e treinamento pedagógico  mostram-se comprometidos na presença da corrupção.

Ao  investigar dados relativos a 1488 escolas públicas de 365 municípios brasileiros e informações de auditorias oficiais, os pesquisadores constataram que estudantes residentes em municípios onde ocorreu essa prática ilegal apresentaram menor desempenho em testes padronizados – e também maior evasão escolar. O trabalho verificou, ainda, que escolas situadas nessas localidades têm menor probabilidade de promover atividades complementares, como treinamento docente.

O artigo menciona que o Brasil oferece um cenário sui generis para análise dos efeitos da corrupção sobre o ensino, lembrando que, a despeito das despesas expressivas com educação primária por aluno, o desempenho dos seus estudantes no principal exame internacional (PISA) está entre as piores do mundo. Os pesquisadores defendem que os esforços para aumentar a qualidade escolar nos países emergentes precisam incluir a implantação de políticas direcionadas a minimizar os desvios de verbas. Uma tarefa dos governantes deveria ser, na opinião dos autores, implantar um amplo sistema de fiscalização dos repasses de recursos entre as esferas federal e municipal de governo.

Por Equipe REAP

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