Este trabalho, de autoria de Carlos Henrique Corseuil (IPEA), Miguel Foguel (IPEA) e Marcos Hecksher (IPEA), investiga os impactos de pisos salariais estabelecidos acima do salário mínimo nacional sobre os seguintes indicadores: proporção de empregados com remuneração inferior ao piso de referência; taxa de emprego; taxa de informalidade e hiato salarial entre empregados com e sem carteira de trabalho assinada. O estudo verifica que, desde a autorização legal para que governos estaduais propusessem pisos superiores ao mínimo, ocorrida em 2000, a valorização real do salario mínimo vem intensificando-se. Com base em microdados das oito últimas edições da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), o trabalho estuda os efeitos provocados pelos pisos instituídos no intervalo 2002-2009, no Paraná e em São Paulo, para três categorias ocupacionais distintas. O estudo detecta que, para ambos os estados, a introdução dos pisos teve efeitos heterogêneos. Embora para dois dos três grupos verificados não tenham sido encontrados efeitos expressivos sobre nenhuma quatro das variáveis, para um grupo específico do PR e outro de SP foi encontrado algum grau de cumprimento da lei, como ajuste do mercado de trabalho à introdução do piso, diminuição da parcela de trabalhadores com remuneração abaixo dele e aumento da taxa de emprego – isto sem que houvesse aumento da informalidade. Outras evidências indicaram que o setor informal também se beneficiou, em proporções similares ao formal, da introdução dos pisos diferenciados. A hipótese levantada para as categorias onde efeitos não foram encontrados é de que a lei possa ter sido ignorada nas relações de trabalho pelas partes.

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